Última atualização em 29 de dezembro de 2021

“Os cientistas podem ter servido para levar a humanidade a pensamentos melhores, mas agora eles próprios se tornaram o pensamento maligno.” – Erwin Chargaff

Vivemos na era da ciência (singular!). Ciência e verdade, ou melhor, realidade, são praticamente sinônimos no zeitgeist, mesmo que a ciência se esconda na modéstia de um processo aberto, que, no entanto, produziu uma opinião majoritária e autoritária, o chamado consenso científico. Com base nesse suposto consenso, a ação política é legalmente moldada e legitimada perante o público, e as opiniões minoritárias são cada vez mais rotuladas como pseudociência, notícias falsas ou mesmo hostilidade psicopatológica à realidade.

A ciência tornou-se uma espécie de moeda da verdade, respaldada, por um lado, pela promessa de qualidade do método científico e, por outro, pela aura da tecnologia. O leigo desconhece qual parte da ciência de fato se transforma em tecnologia e qual a importância dessa parte em relação à totalidade da natureza. Esse consenso científico chega a contar uma espécie de história da criação e, essencialmente, equipara todas as principais questões da humanidade a fórmulas simples e materialistas que são então disseminadas na ciência popular.

No entanto, a crise atual demonstra claramente que há algo de errado com a "ciência", especialmente na forma do consenso científico propagado em números estatísticos e fórmulas simples. O vetor da chamada tecnologia da informação, digital e genética também está, sem dúvida, se movendo contra as exigências da vida biológica e psicológica. Em suma: há algo de errado aqui. Mas o que há de errado aqui?

A ciência está sendo simplesmente abusada por interesses de poder e capital, ou o problema reside na própria ciência? São o establishment científico e a disponibilidade de financiamento para pesquisa que empurram a ciência por caminhos predeterminados, ou existem fatores internos? Precisamos simplesmente substituir a ciência "ruim" pela ciência "boa", ou precisamos abandonar completamente a ciência em algumas áreas? A visão de mundo científica está correta? Se não, onde exatamente está o problema e por quê?

Queremos explorar essas questões-chave hoje, seguindo o exemplo de um dos críticos científicos mais inteligentes, porém incrivelmente simples e acessíveis, do século XX: Erwin Chargaff, o descobridor da estrutura de dupla hélice e dos pares de bases do DNA, que abriria caminho para Watson e Crick ganharem o Prêmio Nobel e que viu o desenvolvimento subsequente como o surgimento de uma espécie de bomba atômica biológica.