Última atualização em 27 de julho de 2025
Quase nenhum outro projeto de infraestrutura energética na Europa sofreu oposição política tão específica quanto o gasoduto Nord Stream 2. Como uma conexão direta da Rússia com a Alemanha através do Mar Báltico, o objetivo era fortalecer o fornecimento de gás da Europa Central. O gasoduto foi tecnicamente concluído em 2021, mas nunca foi comissionado – oficialmente devido à invasão russa da Ucrânia. No entanto, um olhar mais atento revela que as decisões políticas decisivas para o bloqueio do projeto foram tomadas muito antes da guerra. O Partido Verde Alemão, em particular, desempenhou um papel central na prevenção de seu comissionamento, opondo-se fundamentalmente ao projeto por razões energéticas, climáticas e geopolíticas.
1. O projeto Nord Stream 2: fatos e financiamento
O Nord Stream 2 foi concebido como uma extensão do Nord Stream 1 existente e tinha como objetivo transportar gás russo diretamente para a Alemanha, com uma capacidade de 55 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano. O gasoduto corria paralelo ao Nord Stream 1 e era operado pela Nord Stream 2 AG, com sede na Suíça, subsidiária da estatal russa Gazprom.
financiamento:
Custo: aproximadamente 10 bilhões de euros
A Gazprom forneceu 50% do financiamento.
Os 50% restantes foram contribuídos por cinco empresas europeias de energia como credores:
• Uniper (Alemanha)
• Wintershall Dea (Alemanha)
• OMV (Áustria)
• Engie (França)
• Shell (Holanda/Reino Unido)
Todas as partes envolvidas esperavam um comissionamento rápido após a conclusão. O gasoduto ficou tecnicamente pronto em setembro de 2021.
2. O cenário político após as eleições federais de 2021
A eleição federal de setembro de 2021 levou à formação da chamada coalizão "semáforo" do SPD, dos Verdes e do FDP. Os Verdes assumiram o Ministério Federal da Economia e Proteção Climática com Robert Habeck e o Ministério das Relações Exteriores com Annalena Baerbock – dois departamentos-chave em energia e política externa.
Mesmo antes da eleição, os principais políticos verdes já haviam assumido uma posição clara contra o Nord Stream 2:
Baerbock chamou o projeto de “não aprovável”.
Habeck falou de uma “decisão errada” que foi geopoliticamente “fatal”.
Os Verdes também criticaram o Nord Stream 2 do ponto de vista da política climática, pois ele depende da energia fóssil e atrasa a expansão de energias renováveis.
Portanto, não foi coincidência que a Agência Federal de Redes (BNetzA) tenha interrompido o processo de certificação do Nord Stream 16 em 2021 de novembro de 2 – mesmo antes do início da guerra na Ucrânia. O motivo oficial alegado foi que a estrutura da operadora não atendia aos requisitos da Diretiva de Gás da UE revisada de 2019, que exige que a operadora seja independente do fornecedor (Gazprom). No entanto, com a nomeação do político do Partido Verde Klaus Müller como presidente da BNetzA em março de 2022, ficou claro que, sob o novo governo, nem mesmo uma torneira simbólica seria aberta para o Nord Stream 2.
3. A Diretiva do Gás da UE: Bloqueio Legal com Impulso Político
A Diretiva de Gás da UE revisada foi alterada em 2019 em meio a crescentes críticas ao Nord Stream 2. Essa mudança foi promovida por países como Polônia, Estados Bálticos e França — em clara oposição à Alemanha e à Áustria.
Regra central:
Princípio da desagregação: Operador e fornecedor não devem ser idênticos.
Originalmente, essa regulamentação deveria ser aplicada apenas a novos oleodutos, mas foi aplicada retroativamente ao Nord Stream 2, embora a construção já estivesse bem avançada naquela época.
A empresa operadora, Nord Stream 2 AG, tentou obter uma isenção, mas a Agência Federal de Redes insistiu na separação completa. Os críticos veem isso como um obstáculo legal deliberado para bloquear um projeto politicamente indesejável.
4. A guerra na Ucrânia como justificação oficial – mas não como causa real
O ataque russo à Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022 marcou a virada política formal. Dois dias antes, em 22 de fevereiro, o chanceler Olaf Scholz suspendeu o processo de aprovação "até novo aviso" – citando o reconhecimento russo das chamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk como o motivo.
Na verdade, a essa altura, o Nord Stream 2 já estava bloqueado há muito tempo pelo processo de licenciamento. A guerra acabou servindo como justificativa geralmente aceita para a paralisação política do projeto.
O mais explosivo é que, mesmo após o início da guerra na Ucrânia, a Rússia continuou a oferecer entregas de gás através do Nord Stream 2 por canais diplomáticos – mas o governo alemão rejeitou categoricamente a oferta. Ao mesmo tempo, o gás continuou a ser entregue por outras rotas, como através da Ucrânia e do gasoduto TurkStream, mas não para a Alemanha.
Isso demonstra que a Rússia manteve o interesse no fornecimento de gás (pelo menos na fase inicial da guerra) – inclusive para a Alemanha. A viabilidade técnica existia. A rejeição foi uma clara decisão política do governo alemão, fortemente influenciada pela agenda climática e geopolítica do Partido Verde.
5. O motivo ideológico básico: descarbonização em vez de segurança energética
Os Verdes seguem uma estratégia clara: a descarbonização, ou seja, a transição para longe dos combustíveis fósseis, o mais rápida e abrangente possível. Nesse contexto, o gás natural é apenas uma tecnologia de transição, não um investimento para o futuro. Uma enorme infraestrutura de gasodutos projetada para décadas de importação de gás contradiz fundamentalmente esse pensamento.
Nesse contexto, a rejeição do Nord Stream 2 é consistente – de uma perspectiva verde. Os argumentos geopolíticos contra a Rússia serviram como uma alavanca adicional bem-vinda. O gasoduto tornou-se, assim, um símbolo de uma política energética ultrapassada que precisa ser superada.
6. O dilema económico e político
As consequências económicas desta decisão são enormes:
Perda de investimento: empresas europeias perderam cerca de 5 bilhões de euros que investiram em um projeto que nunca foi utilizado.
Crise de abastecimento de 2022: Após a interrupção do fornecimento russo, a Alemanha entrou em uma crise energética dramática em 2022, levando a preços recordes, um retorno ao carvão e uma pressão industrial massiva.
Dependência de GNL: Em poucos meses, a Alemanha se tornou a maior compradora de gás natural liquefeito (GNL), principalmente dos EUA, com preços significativamente mais altos e um impacto ambiental questionável.
Ironicamente, a dependência do gás não foi reduzida, mas apenas transferida geograficamente — da Rússia para outros fornecedores, muitas vezes de estados politicamente questionáveis.
Conclusão
A história do Nord Stream 2 é uma história de racionalidade econômica, ideologia política e jogos de poder geopolítico. A decisão de não comissionar o gasoduto foi preparada muito antes da guerra na Ucrânia por vontade política, particularmente do Partido Verde. A guerra serviu de pretexto oficial para anunciar publicamente o abandono do projeto, há muito decidido.
A verdade central permanece: o comissionamento não foi impedido por razões técnicas ou econômicas, mas sim por uma combinação de dogmas da política climática e estratégia geopolítica. O fato de a Rússia estar disposta a fornecer gás mesmo após o início da guerra é frequentemente ignorado — porque isso perturbaria a narrativa predominante.
A crise energética não foi um evento natural, um raio do nada – foi o resultado de políticos que intencionalmente desligaram a energia antes mesmo da nova rede elétrica estar instalada. Por convicção ideológica, uma infraestrutura energética funcional foi desmantelada antes que alternativas confiáveis estivessem disponíveis. Os Verdes, em particular, cortaram as linhas de fornecimento – e quando o coração começou a falhar, eles se declararam médicos de emergência.
O dilema foi criado e então "resolvido" com grande emoção. O governo que roubou nossa energia logo se apresentou como um bravo portador da luz, guiando o país através da escuridão — uma autodramatização política com pirotecnia de seu próprio incêndio criminoso.
Mas essa fogueira ideologicamente alimentada teve um preço – e foi alto. Para suprir temporariamente o déficit energético criado artificialmente, bilhões de dólares dos contribuintes foram queimados em tempo recorde, o orçamento foi sobrecarregado e o freio da dívida foi esticado ao limite. Os cidadãos pagaram duas vezes: primeiro com suas contas de luz, depois com suas perspectivas de futuro. A economia, por muito tempo a espinha dorsal do país, mergulhou em uma espiral descendente de prosperidade sem fim à vista. O que começou como uma transição energética evoluiu para uma espiral descendente de criação de valor.
Uma recuperação a curto prazo? Irrealista. Uma a médio prazo? Duvidosa. E uma a longo prazo? Só possível se a responsabilidade política não for mais ofuscada por ideais ideológicos.


Isso é perda de tempo. Não faz sentido construir instalações caras em tempos de crise, que não possam ser protegidas de forma eficaz contra sabotagem.