Última atualização em 2 de outubro de 2025

Recentemente, as discussões sobre o sistema europeu de asilo e os desafios que ele apresenta se intensificaram novamente. Neste contexto, gostaria de chamar a atenção para um artigo muito informativo que se baseia em Focus Online e aborda as recentes declarações do ex-presidente do Tribunal Constitucional Federal, Hans-Jürgen Papier, sobre a política de asilo. O artigo oferece uma visão aprofundada da situação jurídica e das demandas de Papier ao governo federal alemão. O artigo completo pode ser encontrado no seguinte link: Artigo do Focus Online.

Em uma entrevista com o Mundo O Sr. Papier criticou a atual política de asilo da União Europeia. Ele descreveu o sistema pan-europeu de leis de asilo como "disfuncional" e argumentou que os crescentes desvios entre os Estados-Membros eram um sinal claro da ineficácia do sistema atual. Em vez de promover a solidariedade europeia como se esperava, argumentou, apegar-se a esse sistema levaria à divisão e ao enfraquecimento da União a longo prazo. Nesse contexto, Papier enfatizou a importância do direito primário europeu, que determina a distribuição de competências entre a UE e os Estados-Membros, e destacou o Artigo 4(2) do Tratado UE. Este artigo obriga a União a respeitar a identidade nacional e a soberania dos Estados-Membros.

Papier enfatizou particularmente que a UE não funciona como um Estado, mas sim como uma "associação especial de Estados soberanos". Essa distinção é de grande importância, pois o direito secundário — ou seja, as diretivas e regulamentos da UE — não deve obrigar a Alemanha a aceitar todos os pedidos de asilo, mesmo que sejam manifestamente infundados ou representem abuso de direito.

Neste contexto, Papier apela ao governo federal alemão para que rejeite requerentes de asilo cujos pedidos claramente não tenham perspetivas de sucesso na fronteira alemã. Ele cita o Artigo 18 da Lei Alemã de Asilo, que estipula que a entrada de pessoas provenientes de países terceiros seguros deve ser negada. Ele também se refere ao Artigo 72 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), que concede aos Estados-Membros o direito de regular de forma independente a ordem pública e a segurança interna. Isso significa que a Alemanha tem certamente o direito de proteger as suas fronteiras internas e de tomar medidas para garantir a segurança interna sob a sua própria responsabilidade.

Papier alerta que o atual "estado disfuncional" da política de asilo continuará, a menos que o governo alemão tome medidas fundamentais para mudar o sistema. Ele apela ao governo federal para que defenda essa posição jurídica perante os tribunais nacionais e europeus, a fim de salvaguardar a soberania e a segurança nacionais.

Em resumo, nesta entrevista, o Sr. Papier apresenta um roteiro jurídico e político claro sobre como a Alemanha pode conciliar sua soberania com suas obrigações sob a lei europeia de asilo. Ele defende a proteção da identidade nacional sem ser restringida por regulamentações europeias que não correspondem aos interesses nacionais.

Acredito que este artigo e os argumentos de Hans-Jürgen Papier nele contidos são de grande importância para o debate político atual. Sua análise oferece uma perspectiva valiosa, especialmente à luz das discussões em andamento sobre a política migratória e o controle das fronteiras da Alemanha.

Fica a impressão de que os partidos políticos responsáveis não respondem à opinião majoritária dos eleitores nem levam suficientemente em conta a situação jurídica aplicável.

Foto anterior: Hans-Jürgen Papel | Autor: Tobias Klenze | Licença: CC-BY-SA 4.0